As reflexões são antes ou depois das asneiras?

Tenho em mim todas as análises da vida. Sou uma espécie de especialista de todos os temas da atualidade. Quem disser o contrário é hater. Há uma expressão que, simplesmente, adoro e que, se adapta a todas as ocasiões. Não confundamos a beira da estrada com a estrada da beira. E, nos últimos tempos, somos peritos em faze-lo. Até eu, vejam bem (vejam, palavra no plural, como se estive a escrever para uma multidão e não apenas para mim, enfim). 

Quando estava a almoçar, hoje, passaram-me milhões  de pensamentos ou de teorias políticas , pela cabeça. 
Quem gosta um pouco das politiquices, começa por se agarrar, ainda na juventude, a uma jota... Todos, a dada altura temos convicções. 
Não sei bem se porque os pais  ou se os amigos são de centro, centro esquerda ou de direita, ou se por acreditarmos que de facto aquelas ideias nos representam. 
Certo é que, nessa altura acreditamos que podemos mudar o mundo, em agitar uma bandeira numa campanha eleitoral, pelo menos, é nisso que acredita a minha ingenuidade infantil, ainda presa aos meus 16 anos.
Recuando até essa idade, recordo que, verdadeiramente éramos jovens que queríamos fazer a diferença nos corredores da política. Tínhamos, ainda, memórias frescas. Tínhamos naquelas salas, onde nos reuníamos, a presença dos políticos que deram nome ao partido que representavam o bom nome do símbolo que tínhamos estampado naquela bandeira. 

Nessa altura da carolice, não exigíamos lugares de destaque numa eleição autárquica, ou legislativa, ele poderia, ou não, surgir.  
O que realmente importava, eram os valores pelos quais nos levantávamos e lutávamos.  Ainda não tínhamos o problema que, hoje, os nossos filhos enfrentam, o regresso ao passado que não tivemos que lutar, de verdade. Mas, já nessa altura combatíamos a desigualdade, o inverso, a falta de carácter.  
Mal sabíamos nós, que os nossos maiores inimigos seríamos nós próprios porque, a dada altura nos iríamos deixar corromper pelo nosso próprio ego e a nossa própria ambição. 

Um dia, mais tarde, a história do nosso próprio ser nos iria fazer mudar de caminho e iríamos entrar num rumo que tanto criticamos quando tínhamos 16 anos. 
Deixamos de ser merecedores de ser guardiões das memórias dos maiores políticos da história do partido. Falhamos com eles. Traímos a memória deles, daqueles que um dia nos ensinaram a trilhar o caminho que nos levou a estar aqui.
E porque?

Porque depois crescemos. Há os que, se mantém fieis às suas convicções e há aqueles que, por ambição, ou outra coisa qualquer, mudam o rumo. Acredito que seja por ambição, porque me recordo de os ver convictos daquilo que defendiam, em jovens. 
Mudaram, apenas de rumo, porque aquele partido não lhes deu destaque, não lhes deu lugar. São eles que, uma dia lutaram as mesmas batalhas que eu mas agora, agitam outras bandeiras e que envergam outras cores porque têm o seu lugares de destaque numa lista que, não lhes foi pedido mas que eles exigiram em troca de meia dúzia de feijões.

Que gosto que me dá (entrei na fase da ironia), ler textos longos dos jovens falar em esquerda e direita e de amor à terra.
Em campanha, todos amamos a terra, o lugar, o próximo e quem está longe. O que deixamos de amar é aquilo de quem somos feitos e os valores, esses, foram perdidos entre os 18 e os 25 anos. Não se iludam… Ou se ama a política pela beleza que nos pode trazer ou se amam os cargos que ela nos pode oferecer. Se for a segunda opção, estás no lugar errado e não passas de alguém sem paixão, sem convicções, então, não serves para me representar.

Podemos trocar de carro, de casa, até de cônjuge, mas jamais de partido e de clube.

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